segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sejam Bem Vindos!

Caro leitor, cabe aqui dar-lhe as indispensáveis boas-vindas, queira acomodar-se, tire seu chinelo se quiser, e bem querer sente-se numa poltrona que lhe dê conforto. Espero que esteja bem, que esteja sereno e venhas alçar as alegrias com que lhe convido a me acompanhar neste traçar de capítulos, tão diversos. Queira minha companhia, prometo ser mais simpático. Queira repousar e lhe contarei muitas histórias!
Oh esquecimento, esqueci-me as apresentações! Muito gosto, sou Lispectorato, um desafortunado, gosto por ser amante, deixe estar que não cometerei gracinha alguma. Sou o prazer em sentir com mil e uma intensidades a mesma coisa, utilizar do mesmo resto. Posso parecer feliz demais, dito que sou um tanto feliz sim, mas a outra parte e tu quem me dás. Quase ia de me esquecer de um detalhe vigoroso, sou bonito e bem vistoso, todos a minha volta curiam a quem seja este tal de Lispectorato, perfumado, bonito e charmoso, deixe estar que vejo que tu já se empolgastes. Queira um beijo no dedo mindinho pra disfarçar esta tua vermelhice. 
Concluindo, caro leitor, sou todo ouvidos e mais um resto de mim, queira me ter em sua companhia, para adentro deste gracioso domínio de leitores que não são apenas leitores. Pois é, as doutoras mandaram dizer que faz-se de tudo um pouco, cantoria, poema e laços de roupa, mas não é bagunça, visto que já levei tantas broncas, pois sou um desastrado nato, com as mocinhas que não, mas isto não vem ao caso. Enfim, que alegria foi tê-lo comigo por alguns instantes, espero que volte, sentirei saudades suas, apareça sempre pra ver este individuo de pouca graça, num universo tão seu.

Foto de Tyrone Power.

Clarice por Clarice

Lispector por: Didimydog © 2009 - 2012

'' Ao mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Contudo, nas crônicas que publicou no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, deixou escapar de tempos em tempos confissões que, devidamente pinçadas, permitem compor um auto-retrato bastante acurado, ainda que parcial. Isto porque Clarice por inteiro só os verdadeiramente íntimos conheceram e, ainda assim, com detalhes ciosamente protegidos por zonas de sombra. A verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores, ainda que os textos confessionais aqui coligidos possibilitem reveladores vislumbres de sua densa personalidade.  ''




Abaixo um trecho de umas das cartas trocadas entre Fernando Sabino e Clarice, aqui Sabino descreve pequenas dádivas rotineiras de Clarice que a completam de pouco em pouco:


 Cartas - Fernando Sabino para Clarice
'' Clarice Lispector é uma coisa escondida sozinha num canto, esperando, esperando. Clarice Lispector só toma café com leite. Clarice Lispector saiu correndo correndo no vento na chuva, molhou o vestido perdeu o chapéu. Clarice Lispector é engraçada! Ela parece uma árvore. Todas as vezes que ela atravessa a rua bate uma ventania, um automóvel vem, passa por cima dela e ela morre. Me escreva uma carta de 7 páginas, Clarice.''

Bio (Resumida)

Clarice Lispector nasceu a 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, Ucrânia. Recém-nascida veio com os pais, em 1921, para Maceió. Em 1924, mudou-se com a família para Recife e, em 1935, estavam no Rio de Janeiro. Em 1943, tornou-se aluna da Faculdade de Direito. Nesse período escreveu seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem. Casou-se com o embaixador Maury Gurgel Valente. A seguir, morou em Nápoles, Berna, Torquay (Inglaterra) e Washington.
Em 1959, separou-se do marido e fixou residência no Rio de Janeiro. A partir daí, colaborou para a revista Senhor, fez entrevistas para a revista Manchete, colaborou em colunas para o Jornal da Tarde, Correio da Manhã e, anos depois, para o Jornal do Brasil, além de manter a coluna "Só para mulheres", no Diário da Noite.
Em 1962, recebeu o prêmio Carmem Dolores pelo romance A Maçã no Escuro. Em 1967, recebeu o prêmio Calunga, da Companhia Nacional da Criança pela publicação de O Mistério do Coelho Pensante. Em setembro, desse mesmo ano, provoca, acidentalmente, um incêndio em seu apartamento, queimando gravemente sua mão direita.
Em 1968, junto com outros intelectuais, participou de uma manifestação contra a ditadura militar. Em 1976, recebeu o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pelo conjunto de sua obra. Em 1977, publicou seu último livro, A Hora da Estrela [ver Antologia]. Faleceu, no dia 9 de dezembro, desse mesmo ano, devido a um câncer no útero.



Fonte: 
http://www.claricelispector.com.br/autobiografia.aspx (Editora Rocco)
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/clarice-lispector/clarice-lispector.php#ixzz1y9p1Nqi9
Livro ''Cartas perto do coração''. Registro das correspondência entre Fernando Sabino e Clarice Lispector, de 1946 a 1969.